Desde criança eu escrevo em diários. Se não fosse um diário propriamente dito, era um caderno para anotações aleatórias ou a minha agenda (quem viveu os anos 1990 na adolescência sabe a febre que era isso!). Hoje eu percebo que nunca deveria ter parado com essa prática e deveria ter "escrito melhor", no sentido de descrever mais como me sentia e não apenas os acontecimentos. Era algo assim: "briguei com a minha amiga Tal". E só. Acho que eu tinha tanto receio de ter a minha privacidade violada que escrevia notas superficialmente apenas para ter o registro mas sem muitas informações. Cheguei a ter um alfabeto em código, que compartilhei com a minha melhor amiga na época, e escrevia as coisas mais íntimas utilizando ele no diário. De qualquer maneira, durante a vida adulta eu deveria ter mantido. Seria bom para eu reler, levar para a terapia algumas questões.
Uma dica legal para a privacidade é manter um diário online. Para quem gosta de papel, pode escrever no caderno, digitalizar a folha e depois jogar fora. Mas, como meu ex-namorado disse: por que você moraria com alguém que violaria desse jeito a sua privacidade. E percebi que ele estava certo. Para quem tem essa insegurança, o negócio é levar o diário sempre com você. Acaba resolvendo.

O diário é uma ferramenta de coleta, que você pode manter como referência depois. Mas nada impede que você o revise e encontre possíveis ações e projetos nos seus escritos.
Tenho pensado muito sobre como registrar as emoções me ajuda a entender melhor a mim mesma. Percebi que muitos dos meus dias eram guiados por sentimentos que eu nem notava: irritação, ansiedade, cansaço. Quando comecei a escrever sobre o que sentia, mesmo que em poucas linhas, percebi um padrão. O diário virou um espelho silencioso, um lugar onde eu podia me ouvir sem precisar resolver nada imediatamente.
Escrever sobre as emoções é uma forma de criar pausa. A caneta ou o teclado nos obrigam a reduzir a velocidade e olhar o que está acontecendo dentro da gente. Às vezes, uma simples frase como “hoje acordei angustiada e não sei por quê” já abre espaço para a clareza. Quando registramos o que sentimos, começamos a perceber as repetições, e é nelas que mora boa parte do aprendizado.
Não existe jeito certo de fazer um diário emocional. Como falei, pode ser um caderno físico, um arquivo digital ou algumas notas no celular. O importante é que ele seja um espaço seguro, livre de julgamentos e comparações. Você pode escrever sobre o dia, sobre uma conversa difícil, ou simplesmente listar emoções que surgiram. Com o tempo, esse registro se torna um mapa de si mesma.
Uma prática que gosto de fazer é revisar as anotações semanalmente. Leio o que escrevi e tento perceber: o que se repete? O que melhorou? O que me esgota? Essa revisão ajuda a identificar padrões e a ajustar pequenas coisas, tais como horários, rotinas, pessoas e até expectativas. A ideia não é analisar demais, e sim acolher o que aparece com curiosidade.

Práticas simples para começar
- Escreva por cinco minutos ao final do dia sobre como se sentiu.
- Use frases curtas, como “hoje me senti ___ porque ___”.
- Anote uma palavra que resuma o seu humor do dia.
- Uma vez por semana, releia suas anotações e observe o que mudou.
Ter um diário emocional não é sobre produtividade, mas sobre presença. Quando você se permite escrever o que sente, cria um espaço de honestidade e cuidado que sustenta as outras áreas da vida.
Se você já mantém um diário, conte nos comentários como tem sido essa prática. E, se ainda não começou, talvez hoje seja um bom dia para tentar.
Muitas pessoas me perguntam "o que fazer com os cadernos quando acabá-los?" E a resposta é: bom, se você escreveu para registrar suas lembranças, faz sentido manter, certo? Se você escreveu apenas para desabafar e não tem interesse em reler, pode jogar fora. Ou pode escanear as páginas, jogar fora o diário físico e ficar o virtual. A decisão cabe a você.

Oi Thais! Tudo bem com você? Eu nunca consegui escrever diários na infância. Começava a primeira página e ficava por aí. Mas depois que comecei uma terapia particular eu comecei a escrever meus diários e às vezes os releio. São insights, neuroses, ideias, emoções que as vezes me pergunto se essa sou eu. É incrível como um diário nos ajuda a nos percebermos. Abraços fraternos
Oi Thais! Tudo bem com você? Eu nunca consegui escrever diários na infância. Começava a primeira página e ficava por aí. Mas depois que comecei uma terapia particular eu comecei a escrever meus diários e às vezes os releio. São insights, neuroses, ideias, emoções que as vezes me pergunto se essa sou eu. É incrível como um diário nos ajuda a nos percebermos. Abraços fraternos !
Escrever um diário é algo que realmente ajuda a se olhar de fora. Amo ler as páginas depois de um tempo, nosso padrão salta aos olhos, e aí é possível identificar coisas que não seriam identificadas de outra maneira. Ótimo post 🤍
Sempre iniciei a escrita nos momentos de maiores angústias. E depois, rasgo e não continuo. Sempre tive essa sensação incômoda de um dia ser lida. E nem é no hoje. É no “quando eu morrer”. Pois não sinto hoje minha privacidade violada por quem mora comigo.
Que ideia boba de apego com o que vai ficar depois que eu for. O controle que tento exercer sobre a vida toca até na morte. É hora de recalcular, né?