No começo do ano, muita gente sente aquela mistura curiosa de esperança com cansaço. Existe vontade de se organizar melhor, de começar diferente, mas nem sempre há energia para sistemas complicados ou mudanças radicais. É desse lugar que nasce este texto. Um registro das ferramentas de organização que estou usando em janeiro de 2026, com a intenção de mostrar um caminho possível, simples e gentil.
Costumo atualizar esse tipo de post de tempos em tempos porque minhas ferramentas de organização acompanham as mudanças da vida e do trabalho. O que você vai ler aqui é o retrato fiel do meu momento atual. Em vez de buscar a ferramenta perfeita, a proposta é compartilhar o que tem funcionado na prática na minha rotina, para que você possa se inspirar, adaptar o que fizer sentido e lembrar que organização não é sobre fazer mais a qualquer custo, e sim sobre cuidar bem da vida que você já tem.

Como está minha rotina em janeiro de 2026
Neste começo de 2026, o foco é claro: finalizar a tese para o depósito no dia 26. Ao mesmo tempo, o restante da vida segue acontecendo. Trabalho, produção de conteúdo, projetos em andamento e vida pessoal dividem espaço no mesmo calendário. Ainda assim, meu olhar está muito mais voltado para saúde, descanso e qualidade do tempo do que para a quantidade de tarefas concluídas.
Por isso, as ferramentas que vou mostrar aqui têm menos a ver com “dar conta de tudo” e mais com sustentar o básico com calma, sem sobrecarregar a mente. Elas me ajudam a lembrar compromissos importantes, a visualizar a semana de forma realista e a ter um espaço seguro para processar pensamentos e emoções do dia a dia.
Na organização do meu dia, me preocupo muito mais com o fluxo do que com a quantidade de tarefas que consigo finalizar. Em vez de encarar listas como uma competição de checks, tento observar a sequência das atividades, os intervalos de descanso e a forma como cada coisa conversa com o restante da rotina. Quando o foco está no fluxo, consigo fazer ajustes ao longo do dia, respeitar imprevistos e, principalmente, manter a sensação de que a vida está andando em um ritmo possível, mesmo quando nem tudo é concluído.

Ferramentas digitais que estou usando
Google Agenda
A Google Agenda é o meu lugar oficial para tudo o que tem data e horário marcados, como reuniões, aulas, consultas e compromissos pessoais. Também uso alguns blocos de tempo para marcar pausas, foco profundo e momentos de autocuidado, o que me ajuda a não preencher o dia apenas com demandas externas.
Gosto de manter poucos calendários e poucas cores para não poluir a visão. Em geral, reviso a agenda na noite anterior ou pela manhã, para ter clareza do que é realmente fixo naquele dia antes de pensar em listas de tarefas.
App de tarefas
Uso o aplicativo Tarefas do Google por ser simples e direto, ideal para listar ações que precisam ser feitas, mas que não têm data ou horário específicos. Ali entram coisas como responder e-mails, resolver pendências domésticas, preparar materiais e pequenas ações ligadas a projetos.
Organizo essas tarefas em listas por contexto, como casa, computador ou rua, e às vezes marco também o nível de energia necessário. Isso me permite escolher o que fazer respeitando como estou me sentindo, em vez de seguir uma lista infinita no automático.
Arquivos e infos de referência
Para armazenar o que preciso no dia a dia, gosto de separar bem o papel de cada ferramenta. O Google Drive funciona como a casa principal dos meus arquivos, documentos de trabalho, planilhas e materiais que preciso acessar em diferentes dispositivos. O Notion entra como um grande repositório de informações, onde organizo estruturas, notas, referências e páginas que conectam vários projetos. Já para os materiais específicos do GTD, uso o Dropbox, que acaba sendo um espaço mais focado para essas pastas e arquivos, mantendo esse universo organizado e separado do restante.
Ferramentas em papel que me acompanham
Diário
Uso um caderno pautado, de capa dura, para anotar o que está acontecendo, registrar pequenas listas, capturar pensamentos soltos e fazer um acompanhamento gentil de coisas como sono, humor ou sintomas, quando necessário.
A ideia é que seja um espaço vivo, que posso adaptar conforme a fase. Há dias com páginas inteiras preenchidas e outros em que escrevo apenas uma linha ou simplesmente não uso o caderno, sem cobrança.
Planner semanal em papel
O planner semanal em papel, da Cícero, me ajuda a enxergar a semana como um todo, com mais calma e menos distrações do que na tela. Gosto de distribuir compromissos e tarefas mais importantes ao longo dos dias para evitar aquele impulso de concentrar tudo na segunda-feira.
Uso essa visão semanal para equilibrar as áreas da vida, lembrando que não existe só trabalho. Coloco ali também blocos de descanso, momentos com a família, lazer e tempo livre, inclusive tempo para não fazer nada.
Como tudo se integra no dia a dia
Na prática, o fluxo funciona mais ou menos assim: a agenda guarda o que não pode ser movido, o aplicativo de tarefas reúne o que é flexível e o papel me ajuda a decidir o que realmente cabe no dia. Antes de começar a trabalhar, olho a agenda, escolho poucas tarefas possíveis para aquele dia e registro no caderno.
Faço também uma revisão semanal, em um momento tranquilo, para olhar o calendário, revisar projetos e ajustar o planner em papel. Em fases mais cheias ou de baixa energia, o sistema naturalmente encolhe, e às vezes uso apenas a agenda e uma lista mínima para o dia. Em fases mais leves, volto a explorar mais páginas do caderno e mais detalhes no planejamento, sempre tentando respeitar o que a vida está pedindo naquele momento.
E, no fim das contas, organizar não tem sido sobre controlar o tempo, mas sobre fazer as pazes com ele. É criar apoios gentis para atravessar os dias como eles são, com suas intensidades, limites e pausas. As ferramentas entram como companheiras silenciosas, não como cobranças, ajudando a sustentar o que importa agora e a deixar o resto para depois. Quando a organização respeita o ritmo da vida, ela deixa de ser um peso e passa a ser um cuidado contínuo, um jeito de dizer para si mesma, todos os dias, eu estou aqui, estou cuidando, e isso basta.

adooooro seus posts compartilhando quais ferramentas usa!
esse ano eu voltei pro planner de papel, eu estava super digital ultimamente e comecei a me sentir meio sobrecarregada com as telas. tá sendo muito bom planejar sem distrações.
“Em fases mais cheias ou de baixa energia, o sistema naturalmente encolhe”
às vezes me cobro demais em momentos assim, o que você falou é simples mas importantissimo. de fato o sistema naturalmente encolhe. obrigada!
Amo suas publicações! Tenho mais ou menos a mesma lógica porque aprendi com você: “a agenda guarda o que não pode ser movido, o aplicativo de tarefas reúne o que é flexível e o papel me ajuda a decidir o que realmente cabe no dia. Antes de começar a trabalhar, olho a agenda, escolho poucas tarefas possíveis para aquele dia e registro no caderno.”
Uso um planner semanal de mesa. Além disso, as ferramentas clássicas: google agenda, notas e aplicativo de tarefas.
Adoro o formato do blog.
Estou entrando em 2026 tentando me organizar mais, tenho qualificação e muitos experimentos para fazer além da vida pessoal e fica uma loucura tentar organizar tudo. COstuma colocar despertador para lembrar de olhar as coisas ou é mais hábito criado? Estou tentando voltar para o Notion, mas tenho um caderno em que anoto tudo, isso eu faço desde sempre, mas estou tentando sair um pouco do analógico e me adentrar no mundo tecnológico para coisas do doutorado e projetos. venho do outro blog, gosto muito das dicas e vídeos, mas parece que um conselho seria bom kkkk
Thais, que post incrível! Adoro quando você compartilha como está se organizando, e o seu conceito de produtividade compassiva é tão humano, me senti muito acolhida nesse mundo atual que nos coloca (e nos faz nos compararmos) como máquinas de produtividade, sem espaço para respiro. Muito obrigada!